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Para acalmar minh'alma



     Hoje eu não escreverei um belo verso
     Porque existe um vampiro atrás do poste
     Abraçando uma vampira sorridente
     Espreitando o sangue de inocentes

     E existem casais hipócritas
     Confabulando nas esquinas
     Destruindo raras amizades:
     Línguas em bocas assassinas!

     Preciso vigiar os velhos, retocados
     Que possuem lâminas finas
     E escondem venenos antigos
     Na concavidade dos dentes

     E velhas, reluzentes
     Vestidas sem caráter para a festa
     Usando máscaras absurdas
     De modos sorridentes

     Todos bailam no salão oblíquo
     A valsa, do casal de infanticidas.
     A indiferença nossa de cada dia
     É como ave de rotina

     Os bêbados com os seus automóveis
     Estão saqueando as madrugadas
     Roubando os sonhos da menina moça
     Que só queria casar

     Há foco de ratos no bueiro
     E o mau cheiro dos humanos
     É a bosta que está represando
     Para inundar a cidade inteira

     A noite longa e tenebrosa
     Não permitirá um ceu de anil
     Vai de encontro ao frio dia
     Adornada de melancolia

     Eu tenho uma solidão interminável
     Que é testemunha do meu peito
     A nossa solidão unificada
     Quem sabe, de mãos dadas desse um jeito?

     Hoje, de bom grado eu trocaria
     Minha pena, por dois punhais.
     Eu preciso de sangue vampirizado,
     Para acalmar minh'alma!!!
    
    
Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 22/04/2008


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