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A oficina da Morte
Não há porque tanto pano e tanta roupa inútil.
O mosquito misturado à cortina, não me deixa dormir.
Vem raptar o meu sangue, num duelo de sobrevivência.

No silencio da madrugada ouço gritos de aves sendo abatidas.

O corpo é tragado pela máquina. Pena para um lado, sangue para o
outro, numa fanfarra de vampiros tortos. Coisa nauseabunda!
O cheiro é infectante. Enoja o sentimento de humanidade.

Existe um carrasco solto na madrugada - Sem culpa e sem mágoa,
Nutrido da indiferença humana.

Deveriam respeitar as madrugadas, o silencio tem ouvidos!

Amanhã comerei aqueles gritos - Beberei aquelas angústias,
Sou cúmplice daquela barbárie!

Todos comeremos aquela carne aterrorizada e ainda diremos:
Sou vegetariano, me alimento de carne branca.
Como se a galinácea fosse um repolho cantante, condenado ao
deleite dos homens, e autorizado pelas sagradas escrituras!

Ó impiedosa humanidade, a misericordia é um semblante desconhecido!

Porque estas ansiedades por cadáveres e naturezas mortas?

Não merecemos muito: O homem é um animal sedento de sangue;
Inventor de sofrimentos!

Bendita seja a dor, e o desencanto nosso de cada dia!
Vem vingar o martírio da galinha e do gado: Tudo se paga!

O diabetes e a esquizofrenia espreitam nas esquinas;
É o envenenamento das artérias, brincando com um cálice de sangue.

Um grito incomoda minha garganta - Um mosquito me faz meditar!

Devora-me que te devoro! - Não existe um pacto pela vida;

Uma moratória para o coração!!!


Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 07/01/2008
Alterado em 16/01/2012


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