macacos e colibris

Crônicas  Textos  Entrevistas

Textos

" O meu Catarrentinho "



         Lá vai meu Catarrentinho
         Trotando pra fazer graça
         Pautado em duas notas
         Risonho sem ser pirraça

         Lá vai meu Catarrentinho
         Parece que é santidade
         Carrega por entre as pernas
         As flores da castidade
         E como são perfumosas
         No jardim da virgindade

         Já vem meu Catarrentim
         Tomar chá de xirimbeira
         Comeu uma embolada
         Vitória da caganeira

         Depois fez a pirueta
         Desapareceu no ar
         Deu uma disfarçadinha
         E trouxe o azul do mar

         Lá vai meu Catarrentinho
         Delírio dos sonhos meus
         Não pensa em jogar bola
         Enfim um, graças a Deus!

         Lá vai meu Catarrentinho
         Portando uma luneta
         Já fez uma ameaça:
         Que vai salvar o planeta
         Fazendo a terra voltar
         Ao tempo da ampulheta

         Já vem meu Catarrentim
         Confuso que nem eclipse
         Já leu Dante Alighieri
         E o tal do apocalipse

         Sonhou ser um pirilampo
         Iluminar noite afora
         Quer morar num presepinho
         Abraçar Nossa Senhora

         Lá vai meu Catarrentinho
         Estudar para ser rico
         Não quer ser como o pai
         Que vive de fazer bico

         Lá vai meu Catarrentinho
         Pisando uma valsinha
         Tem porte de bailarino
         Ó meu Deus, que gracinha!!!
         Parece um anjinho cálido
         Acendendo uma estrelinha

         Já vem meu Catarrentim
         Maldizem, que "leva jeito"
         Vem tropeçando no salto
         Exige muito respeito

         Com a viola e um laço
         Foi enlaçar o amor
         A lua quando é vistosa
         Ajuda o namorador

         Lá vai meu Catarrentinho
         Deve apaixonadinho estar
         Donzela feita de mimo
         Amor pra nunca acabar

         Lá vai meu Catarrentinho
         Partiu com nó na goela
         Agora é cria do mundo
         Finquei dor na espinhela
         Criei pra ser purpurina
         Cobriu-se de uma aquarela

         Já vem meu Catarrentim
         Brincando com as tramelas
         Se trancaram suas portas
         Eu abro minhas janelas .


Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 01/01/2008


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras