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" Janelas "

        Ó flor generosa
        Dos momentos de outrora,
        Dolorida como um beijo
        De partir, na aurora.

        Comovida como o gesto de despir
        Do amor, o medo
        E se servir da mágoa,
        Até que a mágoa toda, verdadeira
        Agora se vestisse de um sorriso
        E iluminasse de perdão
        A ilusão, discreta feiticeira.

        Se ainda pudesses,
        Reinventar um tempo já tão ido,
        Aquele tempo multicolorido,
        Em que eu ia alegre, seduzido
        Feito uma andorinha no verão,
        A revoar em tardes de açafrão!

        Se ainda sobrasse,
        De mim, florisse uma nascente amena
        E num jardim, a minha flor pequena
        Juntasse à tua alma morena,
        E colorisse um verso de canção
        Que fosse derretendo pelo vento,
        Como uma vaporosa oração.

        E eu me abrisse em portas e janelas!
        E tu te abrisses em muitas aquarelas!
        Quem sabe a vida desse para imaginar,
        Que eu fui feliz!



               " Aos filólogos do sentimento "


Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 13/12/2007
Alterado em 14/12/2007


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