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Poema Desesperado


É preciso viver
Apesar do ferrão na carne
Da vaidade nossa de cada dia
Do riso e da melancolia
Da dor e da alegria
A vida nos convida a cada hora
Semear o trigo e debulhar o grão
Revirar a terra ressequida
Não amaldiçoar a semente que secou

Estamos sem rumo
O vasto anedotário me faz
Rir de mim mesmo
E do salto alto, maior que as pernas
O batom maior que a boca
E deste perfume que inflama
Minha mucosa nasal

Pelas barbas do poeta
Nenhum verso com alguma elegância
Uma linha, duas linhas, no máximo
De poesia vil e desgraçada

Só a púbis da ninfeta
Preanuncia um momento de tesão
Rogai por nós, senhora virgem
Com o seu olhar de santidade

É urgente rever o olhar impuro
Dos nossos olhos transgressores
A mulher próxima, a mulher ida
Cheia de pecado e mansidão
farta de lagrimas e perdão

Olho a plebe simpática
Com seu calcanhar de Aquiles
A plebe me angustia, mas,
Plebe é plebe
Se abastece de carne chamuscada
No boteco da esquina

Volto o rosto e encontro
O seu olhar oblíquo
Dentro do meu olhar esférico
Nenhuma ternura a declamar por nós
Dois corpos vazios, equilibrando em pernas tortas

Algum profeta aí,
Para anunciar o fim do mundo?
A ressurreição da carne
A remissão dos pecados
A vida eterna?

Amem!






Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 18/12/2016


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