macacos e colibris

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Minha avó benzia
Com o galhinho de arruda, escapulário no pescoço
Virgem senhora dos ventos, como benzia!

Benzo em nome do judeu errante
Das chagas abertas de Sebastião
Do padim ciço da misericórdia
Que embuxou as armas de lampião

Benzo a pomba ferida
A beleza da jacutinga
Benzo o pobre e o rico
Pois rei tambem tem catinga

Benzo para afastar a briga
Entre o caôlho e o perneta
Um gago contra outro gago
Buscando a paz no planeta

Eu benzo, rebenzo e exorto
Para as profundezas do inferno
10 mil doenças malignas no planeta
Noves fora 1 reumatismo que me ataca no inverno

Quebranto de nora, mandinga de sogra
A mágoa que destroi o mundo
Benzo, reverto e enterro
Nas águas do mar profundo

Benzo a espinhela caída
Erisipela e erisipelão
Ôlho do mal, inveja de parto
Vendaval e mijacão

Benzo a floresta encantada
O jaó piando na serra
A nascente de água cristalina
Que vem saciar a terra

Benzo o grande descobrimento
De portugal a conquista
Benzo o marinheiro que gritou
Navegantes, terra a vista!

Minha avó benzia....  até o CARALHO!




Segundo a Academia Portuguesa de Letras, "CARALHO" é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, de onde os vigias prescrutavam o horizonte em busca de sinais de terra.




Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 21/11/2013
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