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Desesperança



Onde ir agora?
Sinto saudade. Até meus inimigos me trazem saudades!
Os amigos povoam as minhas lembranças e me ferem, com seus semblantes de alegria, e suas mãos como hastes de flores.
Por onde andamos, em que labirintos nos perdemos, irmã e amiga dos meus dias?
Mesmo que as minhas mãos estivessem juntas às suas, indelevelmente, já não existem bosques floridos, nem alamedas perfumadas para os nossos passos. Quase tudo acabou!

"Não que eu esteja me sentindo velho, não que eu tenha medo de morrer. A morte pode abençoar o caminhante perdido, apartado das suas ilusões.
O meu desespero, é ver morrer todos os valores do meu tempo, os encantos da minha época, o que eu cultivei dentro do peito, ardentemente no coração, como se a eternidade estivesse aquí, e nada pudesse mudar o rumo dos meus sonhos".

Morreu o ultimo poeta, irmã, O maestro magnifico, a ultima utopia. A ultima floresta fenece como eu, despedaçada pela deselegância da barbárie!

Pelos meus olhos vazios, o ouvido frágil, poupo-me das avenidas e das máquinas que povoam as ruas.
As massas me apavoram. Parecem animais injetados de desprêzo e ódio!

Não toquem os sinos, calem as fanfarras, que não brinquem as crianças nas ruas!
Já não existe poesia no mundo!



Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 16/04/2013
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