macacos e colibris

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Noites de Fé

Os véus dançavam nas mãos
Das filhas virgens de Maria
Na noite que comeu o dia

A brasa, o sândalo e o alecrim
Na harmonia do incensório

Como pintura de aquarela
A cândida menina
Que quer morrer donzela

A rosa flor com o perneta
Que ja dançou Romeu e Julieta

A mãe de santo e o charuto
No olhar do bêbado, hirsuto

A noite, a vela, a lamparina
Iluminando os pêlos da vagina

O saco, o chato, no soldado
E um ser humano incomodado

O padre André e o ateu
Vão carregando o bom judeu

E pela noite um anjo impávido
Vai começar velha canção

As putas, as putas, as putas
Todas as putas do pinhão
Ajoelhadas e de mãos postas
Cantavam em louvação

Uma cobra iluminada
Virando procissão .



Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 17/11/2009
Alterado em 19/11/2009


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