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Cartinha Singela



                                                      Amigo do peito,

    Minha pena acordou saudosa
    Vontade de escrevinhar
    Uma cartinha singela
    Lembrando que lhe gostar
    É como tecer alegrias
    Bem bordadinha de azul
    Pra poder se embelezar
    Nas tardes de Ave-Marias
    Bem aos pés do santo altar

    A minha esperança de vida
    Anda tão apagadinha
    Tão esmiuçadinha
    Me envergonho em comentar
    Assim, para um amigo do peito
    Que me ensinou a sonhar
    Com terno de linho branco
    Concertina afinada
    Moça de interior
    Que gosta de filharada

    Queria contar uma coisa:
    (O amigo é a melhor confissão)
    Quem tem um amigo do peito
    É como tivesse outro irmão!
    Hoje um tiquim de saudade
    Me afoga em grande aflição
    É a lembrancinha dela
    Que desfolha o meu coração

    Acaso tem visto aquela
    Criaturinha formosa
    Mais rosa que as outras rosas
    Por quem suspirei de amor?
    Acaso ela ainda tem viço
    Tem cheiro de grama molhada
    Boca de amora madura
    Vive de alma lavada?

    Ai, amigo do peito!
    Pudesse eu dar volta no tempo
    Pudesse a Deus enganar
    Buscava os olhinhos dela,
    Os dedos, as mãos, as costelas
    Pra poder me namorar!
    Pudesse, amigo do peito,
    Pudesse a Deus enganar
    Eu revirava esse mundo
    Fazia ele ajoelhar
    Até me pedir perdão
    E ele também perdoar

    Ai, amigo do peito!
    Cê sabe das minhas dores
    Dos meus descaminhamentos
    O peso dos meus andores.
    Ai, amigo do peito!
    Eu tenho uma dor tão singela...
    Me mande umas letrinhas
    Que traga notícias dela!


    Recadim:

                   Não se incomode com a minha tristeza.
                   Amanhã ela vai me acordar sorrindo,
                   Que nem ararinha noivando
                   Querendo se acasalar.

                   "Brigadim do queijo de boa cura,
                    E da medalhinha de Nossa Senhora."


                               João das Flores


                  


                                                        


  
Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 16/04/2008
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