macacos e colibris

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No outono,
Eu ia visitar as flores mortas
Procurando alguma semente
Que pudesse germinar
Na primavera.

Nunca vi uma primavera!
Nunca, o sorriso da flor.
Flores envergonhadas não sorriem
Estão sempre encabuladas.

Pobre de quem nunca viu a primavera!
Moças sem flores são tristes,
Crianças sem relvas verdes e
Canto de pássaros, são caladas.
Infelizes daqueles que não cabem no amanhã!

(Os que viram, me disseram que o amanhã é lindo!)

Entre pessoas outonais eu via,
Seres humanos se deixarem tosquiar
Como ovelhas passivas,
Envernizando suas faces, dilacerando o sorriso
Que há muito já morreu.

Não havia nenhuma criatura,
Que coubesse dentro de um olhar encantado.
O encantamento havia desaparecido da terra.

Sempre era outono em minha ilha!








Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 09/10/2018
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