macacos e colibris

Crônicas  Textos  Entrevistas

Textos

Avenidas



Na avenida ainda há arvores
E flores pálidas, em sedas de Pequim
Freiras, hóstias, e um cântico bem longe
Que me parece ser Gregoriano

E um mendigo que sorri falsamente,
Imaginária alegria

Passam os homens com suas dúvidas
Mulheres com suas queixas
A avenida vai passando

A avenida vai tragando o tempo
E o tempo engolindo a avenida

A lua de prata da avenida
Ainda vem vigiar lâmpadas
Que se perderam da noite

Hoje teve um queima de tecidos
Ontem, calçados e organdis
E uma porção de grinaldas

Amanhã, costureiras prepararão as noivas para o altar

O Lapidário K com suas turmalinas verdes
O meu Guru M e seus versículos encantados

Guardo na memória, tempos idos
Da chapelaria e jardins discretos
E um cheiro de maresia suave
Que vem contar segredos da saudade





Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 17/10/2017
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras