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Galerias de arte



As velhas Galerias de Arte, com seus Rembrandts e Murillos, estão repletas de tédio.
Aqui, um hábito sacerdotal de veludo raro, bordado em ouro e gemas preciosas. Alí, um punhal de prata, cravejado de brilhantes, de algum senhor da Renascença.
Falam da passagem dos homens sobre a terra, estas porcelanas delicadas como cascas de ovos e motivos orientais.
Um mármore várias vezes centenário, vindo de Atenas ou Creta, me mostra uma Vênus sensual a suspirar um amor longínquo, dos tempos perdidos dos bacanais.
vejo o ouro que alimenta o comercio de escravos, as fogueiras da idade média, prostitutas tuberculosas.
Noutra galeria, um rôlo de arame farpado - Tido como obra de arte - me lembra, ou faz-me refletir o cativeiro dos animais, os homens aprisionados por duvidas e remorsos.
Há uma mulher com barba por fazer!
Vou para a rua. - Isso é que vale a pena - O mundo como obra de arte. Os falsários, os mistificadores, a misantropia, florestas incendiadas, os senhores da guerra, a agonia de ser humano.
O grande espetáculo é o mundo com suas telas de fogo, seus canhões,
jovens carimbados, de sorrisos invisíveis.

Um homem distraído, esperando a amante, ensaia uma canção.

O demônio, é uma obra de arte!




Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 04/10/2014
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