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Medéia
Senhor meu Deus,
Ainda assim me amas, depois de ontem?
Ela submissa, me pediu perdão, não perdoei
Humildemente, se jogou a meus pés e chorou
A santissima lágrima de mulher
E disse que errou, por estar aqui
E ter a dor e o colo dos mortais
E possuir um verso forte entre as mãos
Um jardim no corpo que é mistério

Enlouquecido, gritei
Tudo que é amor é ódio
Nada é mais amargo que o beijo
Da mulher arrependida!

Expulsei-a! Depois fui chorar no aterro
O desterro das minhas ilusões
Ouví os pássaros e as aguas, sem ouvir
Orfeu havia me roubado a lira

Depois fugí pela noite escura, Édipo
Dilacerei meus pulsos, fui Medéia
Para colorir de sangue a estrada
De nunca mais voltar

Agora a teus pés, desesperado estou,
Sem conseguir morrer!





Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 05/03/2014
Alterado em 11/08/2014
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