macacos e colibris

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Confissão

Confesso, vida,
Um pouco de abatimento diante de tí.
Não possuo a exuberancia do cantor de óperas, que arrebata multidões,
incendeia o palco com a beleza da melodia.
Nem a graça dos atores, na sua arte de encantar e iludir, com a mágica
do gesto, da fala - A alegria e a dor.
Nada sei da arquitetura das grandes catedrais e suas torres austeras,
como a apontarem o céu. Nem dos seus vitrais e ornamentos sagrados.
Não rasgo a terra com a paciencia dos meus braços, nem retiro dela, o
alimento da vida.
Não aprendí a alimentar o homem com o suor do meu rosto, e o milagre
dos trigais.
Amei a politica imensamente. Pensei que ela pudesse transformar o mundo.
Fui para as ruas em passeatas, gritei o meu desespero e a crença. Tudo
em vão!
Mas confio, porque é do homem a esperança!
Vai longe o tempo da amizade, da familia, do apêrto de mão. Sinto
que perdemos os valores que acreditava definitivos, da pátria e da razão.
Vejo os mortos enterrando os vivos e me assusto. A terra parece uma
casa feita pelo avêsso.
No entanto, sinto ternura pelos pecadores como eu, os desajeitados
feito eu, inda guardo a lealdade para os passarinhos e as flores.
Quero afagar a liberdade como alguem que respira o vento da manhã,
pela agonia de ser livre, de ser verso, de ser canto.
Não sou grande coisa, vida,
Mas sou poeta!


Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 30/07/2012
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