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O Intelectual e o Pastel


Eu nunca ví intelectual brasileiro comendo pastel na feira.
Nem em época de grandes decisões, eu ví o intelectual brasileiro comendo pastel na feira.
Esta feira que vende alface, chicória e pimentão, alho, repôlho e açafrão.

Nem mesmo este monumento do intelecto, este "Grão Cavaleiro
da ordem de Minerva", Fernando Henrique Cardoso, eu ví comendo pastel na feira, onde se vende o cipó cravo, unha de gato e a garrafada, e onde vai o homem simples, a doce senhora e a puta safada.

Estranho ao ver os nossos poetas: Cantam o alecrim, a rosa e a verbena, a malva, a camomila e o alfazema, no entanto nunca ví os nossos poetas acariciando um pé de alface, nem cheirando docemente o pezinho de poejo.

Nunca ví o intelectual brasileiro cheirando o pesinho de poejo, nem comendo pastel na feira!

Será que os intelectuais brasileiros não gostam dos Italianos? São coisas que eles inventaram para alimentar o mundo, tornar a vida mais saborosa!

Petrarca comia pastel nas feiras. Antes dele, no Grande Império, Julio Cesar, Otavio Augusto, Sêneca, Juvenal, Ovídio, Virgilio, Nero e até mesmo Petrônio, que escreveu o "Satiricon", e que era considerado o mais refinado homem entre os Romanos de sua época, comia pastel nas feiras.

Machiavel, Dante, Michelangelo, Rafael, e até o maior genio que a humanidade produziu, Leonardo da Vinci, gostava de comer pasteis nas feiras livres de Florença.

Napoleone Buonaparte, se entregava aos prazeres da mesa, comia pasteis compulsivamente.

O pastel foi introduzido na França no século XVI, quando Catarina de Médicis se casou com o rei Henrique II. criada em Florença, no apogeu da renascença italiana, onde a cultura e o bom gosto estavam presentes. Ficou muito deprimida em frança, com a comida e os habitos dos franceses, daí mandou buscar na Itália, tudo que havia de bom entre os Italianos, principalmente os cozinheiros trazidos a pêso de ouro, pois eram muitos valorizados.

Assim a cozinha francesa enriqueceu bastante, visto a itália desde os tempos antigos, possuir a melhor culinária do mundo.
Assim sendo, levaram os pasteleiros, os pizzailos e os macarroneiros. depois os mestres em carnes, patês e os disputados confeiteiros, tão amados pelos franceses.

Catarina de Médicis, era filha de um rico Médicis italiano, maior banqueiro de sua época, e um dos homens mais poderosos. Um dos dínamos da renascença Italiana. Cultíssimo, e que tambem gostava de comer pasteis nas feiras, desde que não estivessem envenenados. Mandava o provador experimentar, depois comia até ficar lambuzado.

Vejo os nossos intelectuais comendo linguiça espetada no palito, peixe frito com rodelas de limão na praia, torresmo e chouriço com cachaça nas minas gerais, até vatapá eu ví o Tancredo neves comendo na bahia, antes de morrer, coitado, com problemas intestinais.

Ou será que as coisas estão mudando?

Outro dia observei atentamente com um certo sadismo, um grupinho deles, atraz de uma barraca de feira, limpando as suas bocas e festejando alegremente!
Teriam comido pasteis, escondidos por traz dos panos? da barraquinha da feira?

Seria alguma coisa antiestética abrir a boca (tem que escancarar a boca pois o pastel de feira é grande), seria feio abrir a boca e mostrar os dentes para o povão ver que eles tem boca grande e lingua saburrosa?

Afinal, eles não a abrem constantemente e quase sempre para enganar ou encher de lixo a cabeça do povo?

Mas eu nunca ví em verdade, com a placidez dos meus olhos, o intelectual brasileiro comendo pastel na feira. nem bebendo caldo de cana "in natura".











Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 10/02/2007
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