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O condomínio dos pássaros

Certamente que aquele beija-flor tinha perdido a rota, quando veio acariciar a rosa solitária que enfeitava a janela do meu apartamento.
Era uma rosa rubra. Talvez pelo colorido chamativo, o beija-flor se afeiçoou a ela, primeiro pela beleza, depois, pelo nectar de suas pétalas.

No primeiro dia chegou timidamente, assustado. Queria naturalmente saber se o ambiente era amigo: Encontrou um coração aberto, e foi voltando a cada hora, no decorrer das nescessidades ou por misteriosa saudade.

Trazia a alegria...trinava... e no belo dia de chuva, fêz uma imensa festa no fio de energia, tomando banho, abrindo as asas, num intenso louvor à vida.

No quarto dia, quando já estava acostumado à sua presença única, apareceu com uma amiga, e pelo olhar pude deduzir que seria um novo amor.

Na semana que iniciava, comecei a notar, e com desespero, que a unica rosa do meu jardim suspenso, estava murchando. Mas me lembrei que havia ainda uma possibilidade de cativar por mais algum tempo o meu amiguinho marrom - clarinho, e bico longo.

Pronto! Lá estava o suporte cheio de agua com açucar e algumas flores desconhecidas, aliáz, flores indicativas como a mostrar que se poderia experimentar, embora sem perfume algum. Uma bicada e aconteceu o milagre!
Foi um sucesso o meu ventre de plástico transparente e flores artificiais!

Encantei-me com a ideia de que com quatro rosas e muito doce, eu poderia alegrar a vida de mais alguns beija-flores da redondeza, que estavam perdidos, com falta de flores, ou famintos.

Lavava e cuidava das minhas rosas artificiais, elas eram a garantia dos meus amigos, e a cada dia aparecia um diferente.
Foram se convidando... fazendo uma corrente...comprei mais rosas, e o meu jardim suspenso de rosas artificiais promovia um balé de pássaros que voavam para frente e para tráz, numa coreografia de anjos de todas as cores, todos os tamanhos e uma crença: A felicidade!

Cheguei a ficar feliz quando o vizinho da direita, e o da esquerda, começaram a imitar a ideia.
A principio fiquei preocupado pelo fato deles estarem "roubando" o carinho dos meus convidados, mas depois verifiquei que eram tantos, e o meu vizinho estava usando um açucar diferente, proprio para eles e com vitaminas e sais minerais.
Que bom saber, comprei a ideia! Se era para a saude e felicidade deles, porque não?

Então, as crianças taciturnas dos apartamentos aprenderam a sorrir!

As mulheres idosas plantaram amoreiras, e começaram a aparecer o assanhaço e as saíras!

Um casal de namorados jogava canjiquinha no banquinho onde costumavam trocar beijos, e apareceram as rolinhas, e o condomínio foi se transformando em uma grande festa!

Até "João-de-mal" que vivia se confrontando com a vida, se rendeu, e se tornou o xerife da passarada:
Plantou no jardim as Madalenas, as Namoradeiras e a flor Morena.
Provia a todos e voltou a ser feliz!

O prefeito inventou uma condecoração para homenagear os habitantes do condominio;
O padre rezou missa campal e abençoou com muita agua benta!

A saudade me pegou pela mão e eu voltei la outro dia, e fiquei imensamente feliz, por ter produzido com grande simplicidade, um sentimento!

A vida prospera, borbulhante de flores e de pássaros!

Fulgurante, como nos tempos primeiros!




   Com os meus sonhos,
  perturbo o infinito!
     (zé canjica)



Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 26/01/2007
Alterado em 26/05/2007
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