macacos e colibris

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Medieval
Ontem, comeram as orelhas do vizinho ao som dos tambores da Martinica.
Os pés descalços, indios pós modernidade, comiam tapioca (desdentados comiam), se tivessem dentes, roeriam os ossos da civilização ocidental.
O sangue ferveu na veia, o medo ferveu na veia, desentupiram-se as minhas artérias - Beberão o meu sangue Italiano para a festa dos vampiros.
Roubarão meu patuá, meu bodoque de estimação, meu punhal de Sevilha!

Uma estranha criatura surgiu nos céus:
Um bezerro sindicalizado, bordado de ouro e gloria, e como se fosse criação de Nostradamus, mugia uma ária rouca, tinha a garganta perfurada e um espinho na lingua e se locomovia com pés de lôdo - ainda soltava fôgo pela boca, e cuspia na plateia embebedada.

Uma feiticeira, trazia sangue na mão direita e pérolas na esquerda e gritava:
Eu salvarei os homens dos homens!
Mas, quantos homens ainda temos? Dos que não se curvam, dos que não se vendem, nem trocam suas mulheres por um punhado de ouro? Nenhum???
Pobre povo que não tem um homem para defender sua fêmea do lixo e da lama, as filhas do purgatório, os amigos, das bêstas que povoam as ruas!
Melhor que as vaginas procurassem outras vaginas, para se esquentarem nas noites frias da alma!

A multidão sem pênis, delirava com seus culhões!
Os culhões, diziam, enfeitam as pernas e não comprometem o futuro da humanidade. A espécie apodreceu, e nós apodrecemos com ela. Já não existe inocencia no riso das crianças!
Todos os não eunucos irão para a forca!

E vi uma procissão de prostitutas vendendo suas carnes, ao som de atabaques - Gigôlos e cafetinas - Misticos e predadores, do pensamento e da fauna!

Respeitem o meu infarto do miocárdio, gritei horrorizado!
Respeitem minhas pernas tortas - Minha anemia perniciosa - A senectude e a claustrofobia - Meus dentes cariados e a isquemia do mesentério!
Respeitem a confissão guardada num colo de mulher (O ventre sagrado das mulheres!),
Respeitem os que virão reorganizar o mundo, com suas lanças e seus cutelos, e as fogueiras misericordiosas da redenção!

              



Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 27/02/2012
Alterado em 30/03/2014
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