macacos e colibris

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Ode às rugas



Ó pálida senhora de detonados anos
Vil guardiã dos desesperados dias
Maschera maledetta, per sécula seculórum
Puta velha em nostalgias

Fui contemplar-te na casa dos desencantados
No leito dos desenganados, entre bisturis
Amarga irmã, amarga rima
Verso mais triste de Bilitis

Que dor olhar-te no rosto dos poetas
Em seio flácido das indias Carijós
Na face meiga e rosa das Itálicas
Nas múmias imundas dos Faraós

Ah! Como te odeio vampirona
Carne envelhecida e sem compostura
O teu espelho reflete toda mágoa
Tonel de tédio e amargura

Maldita tu entre as mulheres
E entre homens como eu, em flor
Musa reversa, ladra que vem
Roubar meus dias de esplendor


Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 07/02/2011
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