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O que a vida me deu


Agora eu fecho os olhos e sinto a minha mão tocar o relogio de ouro e vidro de cristal que meu pai guardava entre suas coisas amadas. Penso:
Ele se foi, o relogio não sei onde se escondeu, e no entanto eu os sinto agora, e me perseguem pela vida afora.
Gostava do meu pai e do relogio tambem. Eram inseparáveis!

Assim a vida foi me dando estes presentes, mostrando tantas coisas que incorporei na imaginação, na arte de ter tudo arquivado em algum lugar da alma.

Moças que gostei secretamente continuam lindas a povoarem os meus dias. Guardo até o brilho dos olhares que prendí no meu olhar, e não permití que envelhecessem, por isso os tenho brilhantes, em atrevida juventude.

Ainda tenho o gôsto da água do rio doce na boca. Ainda ouço o melro e o canário da terra acordando a manhã, de tantas outras manhãs que escolheram viver comigo em sentimento. Aquelas gotas de orvalho desmaiadas na folha de taioba, ainda conservo no olhar, como se fossem um arranjo de esmeraldas e diamantes, e aquele vento que assopra o milharal, sou eu brincando de fazer marola, e pincelando a serra de ouro e o verde das turmalinas.

Aquela musica é minha. Ela vinha com as tardes me fazer cantar.
Os anoiteceres são meus!
Deixo as pálpebras caírem e abraço os mesmos encantamentos de outrora.
O belo sorriso da minha mãe ainda me embala com a mesma ternura!

Fecho os olhos e acaricio o passado. Ele está guardado na memória do coração.

O meu pai está alí, e aquele relógio ainda é meu!


Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 24/09/2009
Alterado em 24/09/2009
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